5 dicas para os jornalistas

Eu li um artigo muito interessante escrito por Géssica Hellman, sobre os maus exemplos dados por jornalistas em blogs corporativos. O texto está muito bem redigido em forma e conteúdo, e por isto concordei de pronto e tentei levar o questionamento adiante ao comentá-lo.

Há uns bons anos, desde que deixei o trabalho de um jornalista tradicional na maior rede de TV brasileira, descobri um mundo cheio de Comunicação. Não foi fácil perceber isto, muito menos entender como poderia me encaixar nele. Da decisão de mudar de vida até descobrir que não era um repórter ou editor, e sim um profissional de comunicação foi um processo doloroso e gratificante. Quando percebi dentro de uma empresa de varejo que eu, como jornalista, poderia atuar positivamente no faturamento final e que poderia criar uma marca vencedora a partir da comunicação… fiquei assombrado.

Hoje é natural para mim entender que tudo é comunicação desde uma planilha de custos, a logo da empresa, o atendimento ao cliente e chegando sim ao material de divulgação, conteúdo eletrônico e outras ferramentas mais. O fato é que todo ano milhares de jovens saem das universidades como eu sai: repórteres.

Ávidos por uma oportunidade de brilhar, mas sem a menor noção de como acender a lâmpada. Não aprendem a empreender, a criar alternativas, nem fazem idéia de como medir o resultado de seu trabalho. Logo no início da carreira, meu primeiro chefe de reportagem, um gaúcho chamado Carlos Martins, me fez pensar: “você sabe quanto custa para a empresa, mas sabe quanto vale?”. Você já se perguntou isso?

Se os empregos estão sendo extintos é preciso buscar alternativas. É hora de você tomar sua carreira em suas mãos, determinar o que deseja fazer, para quem trabalhar, quanto ganhar e, se tiver coragem, jogar todas as fichas. A produção dos blogs corporativos que Géssica Hellman cita é um bom exemplo disso. O mundo dos blogs é campo aberto, não tem reserva de mercado para nenhuma carreira, um dos blogs mais legais de hoje e com uma visitação incrível é feito por uma médica e não tem nada haver com saúde.

Não importa onde você, jornalista, deseja trabalhar é preciso conjugar 5 verbos:
1 – Informar a si próprio. Leia tudo, navegue, seja curioso, aprenda a trabalhar com planilhas, entender de planejamento, tecnologia e tudo mais, mesmo que pense que nunca vá usar.
2 – Pensar. Parece óbvio, mas não é. Pensar é mais do que escolher o número do lanche que vai comer no almoço. É cruzar dados em alta velocidade, é perceber o que sua empresa precisa e apresentar a solução antes que alguém lhe peça.
3 – Relacionar. Eu vivo repetindo isso: o mundo é plural, é coletivo, é inclusivo. Não coloque limites entre você e as pessoas. Não estabeleça tribos para si mesmo. Pertença ao mundo e faça-o pertencer a você. Siga a mesma filosofia para as informações que carrega na cabeça, relacione-as.
4 – Apaixonar. O que John Lennon, Jack Welch e Channel têm em comum? Eram apaixonados por suas idéias, por mais futuristas e extremas que tenham parecido na época, foram apresentadas com tanta paixão que arrastaram um monte de gente atrás deles. Não se preocupe com discursos bonitos, números grandiosos, mas tenha a certeza de que seus olhos estejam brilhando quando falar do que deseja, seja um emprego ou um beijo.
5 – Coopere. Ao fechar o ciclo é necessário devolver o que a vida lhe deu. Retribua como puder. Esta é a parte mais importante de todas. Se não souber ser grato, não saberá receber.

E uma última dica, de vez em quando se encare no espelho e pergunte: “eu faço chover?”


Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.