O que há em comum entre a Visa, a Avon e a Coca Cola?

As três empresas, assim como tantas outras, aderiram ao marketing de conceito. Uma tentativa de vincular seus produtos com temas ligados ao meio ambiente, à realização pessoal e a defesa de comportamentos saudáveis. A prática gera peças publicitárias excelentes e dá um amplo leque de criação para os profissionais do ramo que conseguem mesmo gerar alguma inspiração.

Mas porque estas empresas estão investindo pesado nesta linha de aproximação com o consumidor? Porque o consumidor está saturado. Está cheio de informações, bombardeado por anúncios de ofertas na rua, no rádio, na TV, nas revistas, em placas de sinalização. Assim, as marcas precisam criar um vínculo entre seus produtos e algo que o seu consumidor admire. Qual mulher vai dizer que o combate ao câncer de mama pode ser deixado de lado? A Avon sabe disso, investe em ações sociais ligadas ao tema e conquista a admiração e o respeito de sua consumidora que, provavelmente, deve usar esta informação na hora de escolher seu novo baton.

Por outro lado há um raciocínio mais amplo neste jogo. Há duas gerações o prefeito, o delegado, o padre e a diretora da escola eram capazes de ditar o modelo de comportamento de toda uma comunidade. Alguns os seguiam por respeito, outros por medo. Onde estão estas figuras hoje? Afogadas em descrédito e escândalos perderam espaço e deixaram um vácuo nas comunidades que ainda aspiram por modelos de conduta.

Sem poder contar com a atuação exemplar das instituições públicas, o cidadão percebeu nas Organizações Não Governamentais o terceiro caminho, mais rápido, mais eficiente, mais transparente e onde ele pode participar do jeito que desejar. Novamente valores como solidariedade, ética e trabalho conjunto ganharam seus defensores. As empresas foram convidadas a patrocinar estas instituições e logo o consumidor percebeu que o mundo corporativo poderia ir além de simplesmente gerar riqueza. Como o Instituto Ethos costuma dizer: “Toda empresa tem uma Razão Social”.

Daí surgiram grandes investimentos sociais empresariais como o Projeto Tamar que cuida da tartaruga marinha usando o dinheiro da Petrobrás ou a Fundação Bradesco que educa milhares de crianças ou ainda a Fundação Roberto Marinho que restaura prédios antigos e constrói museus. Mas agora que a Responsabilidade Social não é mais um modismo e sim um pré-requisito para atrair o consumidor, este discurso chega à publicidade.

Mas eu falei de tudo isso para fazer uma pequena reflexão. Como você está se comportando nesse mundo de Responsabilidade Social? O que você tem feito no seu dia-a-dia? Você pode dizer que não sabe como, então eu digo que pode ir até a associação de moradores do seu bairro e no começo apenas ouvir as reuniões, até que se sinta à vontade para dizer o que pensa. Ou pode ir até uma instituição e simplesmente se oferecer para lavar a louça do almoço ou organizar os brinquedos usados pelas crianças.

Não importa o tamanho do que você vai fazer, nem se vai ser manchete de jornal. Ao se envolver nesse mundo de responsabilidades mútuas vai lembrar que o bicho homem é social, é coletivo. Quem consegue ter uma boa noite de amor sozinho? Ou participar de um almoço divertido e barulhento sozinho? Ou jogar aquele futebol sozinho? Do mesmo jeito eu pergunto: quem vai conseguir melhorar este mundo sozinho? Agora bota a cabeça para funcionar, feche os olhos e perceba onde seu coração vai bater mais forte e siga em frente. Quem anda no Fio da Navalha é capaz de tudo.


Este artigo pertence ao Caminhando Junto Blog.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.